domingo, 29 de junho de 2008

Um dia para não esquecer

No centro da cidade, no fundo de um ônibus meus olhos se distraiam. Em minha frente, quando um homem me vê, sorri. Não, ele não ri! Ele sorri. Apesar do tumulto ali dentro, e mesmo com dificuldades de estar em pé, ele sorri e eu não sabia porque.
Continuava a olhá-lo e via as marcas no rosto que me sugeriam o sofrimento. Mas ainda sim, continuava sorrindo que me dava orgulho de estar ali.
Sua cor me remetia a um tempo de vergonha, mas ainda sim o encarava. Apesar de seu passado, ele sorria. Apesar de seu presente, ele sorria. Apesar de seus olhos, ele sorria.
Não dizia nada a mim, nem a ninguém durante todo o passeio. Ele só sorria.
Apesar de tudo não era sem motivo. Bem naquele dia, ele sorria. Era 13 de maio, dia da Abolição da Escravatura. Todas as moças eram vistas por ele como princesas. Ainda em silêncio, ele me sorri pela última vez e desce em seu destino que é a “Satisfação”.
Até parece que ele já sabia o que deu na tevê. Uma pesquisa mostrou que até o fim desse ano a população de negros e pardos vai ser maior que a de brancos no Brasil.

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