domingo, 29 de junho de 2008
O sensacionalismo está de volta em uma nova roupagem
Atualmente a vida até de um estudante de jornalismo se resume a Isabella Nardoni. Tem sido absolutamente covarde o modo como a mídia nos enfia guela abaixo o caso dessa garota de seis anos assassinada. Sinceramente, todos os dias eu torço pra não esbarrar com ela por aí. Não digo pela garota, mas pela repercussão.
Os jornais, a televisão, as revistas, a internet, todos os veículos ditos “independentes” se tornaram submissos ao caso. A pequena menina toma conta de todo esse império midiático. Desde o dia 29 de março temos vivido por conta do assassinato da garota, e em torno disso as pessoas pautam suas vidas e conversas.
Há um mês e meio as pessoas discutem um caso que não teve fim algum, que não teve certeza de nada ainda. A mídia utiliza a velha fórmula do sensacionalismo novamente que me faz lembrar o velho Aqui Agora com Gil Gomes. Pelo menos com ele eu me divertia.
Penso ser impossível não haver notícia alguma mais importante para o país que o assassinato da pobre menina. O sensacionalismo gerado pela mídia fez com que as vidas de donas de casa, mães, trabalhadores e estudantes parassem. No vai e vem do pai e da madrasta na delegacia, no bairro do Carandiru, lá estavam todos eles tentando linchá-los, ofendê-los ou coisa pior. Pessoas íntegras, exemplares, boas ou não da sociedade estavam todos ali. Esses atos fomentados pela mídia de fazer justiça com as próprias mãos são para ser julgados tanto como o dos pais.
Mortes e assassinatos piores que esse acontecem todos os dias no país. Como foi com o caso do menino João Hélio ou outras. A morte de um trabalhador ou de uma criança de classe baixa não é mais importante que a morte de um classe média, de família graduada ou pós-graduada nessa ridícula “grande mídia”.
Tento fugir desse assunto que já me causa desprazer. Já me encheu o saco!
A última gota foi na quarta-feira passada, quando assistia o jogo decisivo do São Paulo pela Copa Libertadores. Assim como eu, outros amantes do futebol, torcedores ou não, exerciam um direito democrático de decidir aquilo que quer ver ou não. Mas não fomos respeitados mais uma vez!
Durante a partida, em meio a lances, o narrador esportivo Kléber Machado transmitia ao vivo simultaneamente a prisão dos supostos acusados pelo assassinato. A transmissão era lá e cá (emocionante!), tela dividida ao meio. Deviam premiar o Kléber. As imagens eram nada mais, nada menos do que duas Blazers da polícia trafegando pela marginal em uma imagem panorâmica.
E o pior é que em uma dessas, a Globo acabou perdendo o gol ao vivo de Adriano. A falta de respeito tomou conta. Chega!
Será que a sociedade deve mesmo pautar o jornalista?
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