domingo, 29 de junho de 2008

Impresa e sociedade em: "A saga dos cães perdidos"

Ao criticar o telejornal, Ciro Marcondes Filho mostra o que o século 21 foi capaz de nos causar. O desenvolvimento da mídia e o aumento da utilização dos computadores fez com que os jornalistas passassem de cães farejadores a cães perdidos. Faz-se essa metáfora porque antes da utilização da internet, os jornalistas iam para as ruas e investigavam realmente as notícias de todos os lados possíveis. Havia um compromisso com a investigação e com a credibilidade perante o telespectador.
Hoje, pode-se dizer que esses cães perdidos se tornaram submissos aos processos de tecnologia e a prática do jornalismo preguiçoso através da internet e telefone, sem uma saída a campo para realmente investigar através de documentos e reflexões as minúcias da notícia. O estímulo à competição de quem dá a informação em primeira mão acaba tornando suas matérias baseadas apenas em depoimentos de fontes, priorizando a velocidade à qualidade. Muitas vezes não por culpa dos jornalistas, mas pelas organizações para que trabalham que são pressionadas por um sistema que acostumou e transformou essa sociedade da informação.
Os noticiários de TV ao vivo que entopem os telespectadores de informação quando ao mesmo tempo em que exibem uma matéria e suas imagens, passam letreiros com outras notícias de última hora. Marcondes Filho chama esse modelo de telejornal de “esportivo”. Esse amontoado e a velocidade do fluxo de informações são responsáveis pela pouca capacidade de reflexão das pessoas. O excesso e a sobrecarga tomam o tempo que seria adequado para a reflexão de determinado assunto. Apesar da falta de reflexão o subconsciente capta as informações que tem contato e dessa forma é possível manipular a sociedade e tirar sua capacidade de refletir. Através das imagens e com pouca participação do jornalista que narra, o apelo dessas imagens desperta no público a emoção ao invés da razão, o que gera o sentir ao invés do compreender.
Esse apelo à emoção gera a banalização dos fatos. Mortes, escândalos, estupros e outros crimes, apesar do esforço da mídia de cada vez procurar uma nova forma de apelo à emoção, já são vistos como algo comum. Essa falta de comprometimento com a razão faz com que a sociedade não compreenda todos esses crimes inseridos no contexto em que vivem.
A estética da televisão, o poder de alcance e dominação do pensamento social revela o poder que esse veículo tem. Pois é capaz de ditar e pautar sobre o que assuntos a sociedade deverá repercutir. Essa dependência social da informação a todo instante de todos os lugares faz com que as pessoas acreditem que a televisão é realmente necessária para suas vidas.

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